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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Carta de lugar chamado Solidão

" Como é na Solidão? É... escuro, frio, agonizante. Tem muitas pessoas, mas geralmente não se consegue vê-las. A escuridão é intensa. Não se sabe se é um lugar fechado ou aberto, mas quando alguém sai da Solidão, faz-se um clarão intenso e rápido como relâmpago. Em um desses clarões eu vi que as pessoas ficam paradas em frente à portas, cada um em frente da sua , mas não há paredes, somente as portas fincadas em alguma coisa que não sei de fato se é no chão, porque a impressão que se tem, é que ele não existe. Mas eu pude ver que o motivo do clarão se dá, pois uma porta se abre e uns braços tiram a pessoa desse lugar. O silêncio se mistura com pequenos sussuros. Talvez sejam rezas, orações, pequenos pedidos de socorro... não se sabe ao certo. Não sei como se entra neste lugar, não sei como se sai, só sei que é uma parada certa nesta viagem que chamamos de vida. Não importa o tempo, você um dia vai passar pela Solidão. Eu ainda espero sair daqui novamente. Cada clarão é uma esperança de que esses braços me arranquem deste lugar. Acho que já estou me acostumando este o ar gélido em meus pulmões, com a lágrima que se congela bem antes de encostar no meu rosto e com os nós em minha garganta. Isso não é bom. Por favor, alguém, arrombe esta porta e me tire daqui! "

Remetente: --//--//--//--//--

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