Quando se é criança... é... eu nem sabia o que escrever sobre infância, então deitei sobre minha cama apaguei as luzes e fiquei olhando para o único ponto iluminado proveniente da lua através da janela, e percebi que se você olha fixamente no escuro para um lugar claro parece que a escuridão engole aos pocos aquele ponto e se sente uma leve e perturbadora agonia. Mas voltando à infância, onde estávamos? Ah sim! Fiquei olhando aquele ponto e me lembrei dos tempos de Recife-PE, minha terra natal. Aquilo que era o máximo. Todos os dias meu avô levava eu e meu irmão pra tomarmos Toddynho e comer Pingo D'ouro na padaria. Eu adorava estar em casa malvadando com o gato que atendia pelo nome de Biliu. Tadinho, nem tinha escapatória das minhas mãozinhas gordinhas, macias e fortes. Comer cuzcuz de milho ouvindo meu avô me chamar de "Badim" ( eu adorava quando ele me chamava assim, ninguém sabia o que isso significava, nem ele mesmo sabia, ou nunca me contou, mas adorava do mesmo jeito ), correr da minha própria imaginação, subir degrau por degrau até minha casa sem um pingo de pressa. Eu só queria me divertir, sozinho, ou com meu irmão. Eu não me lembro da história de todos os meus arranhões e cicatrizes que tenho, mas sei que minha infância foi aproveitada AO MÁXIMO! Caí do pé de goiaba, arranhei minhas costas no arame farpado, caí do morro andando de biscicleta, prendi o dedo na estrela da minha primeira bike... nossa, maravilhoso lembrar disso. Cada história, cada lembrança... ainda bem que sou sou maior crianção, e digo isso de boca cheia. Espero que essa parte de mim nunca se perca.
- Essa semana me deu uma vontade de que, no futuro, meu primeiro filho seja uma menina! Mas vontade é uma coisa que dá e passa.

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